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Altox concede entrevista sobre modelos in silico como alternativa ao uso de animais ao canal NBR

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O Diretor da Altox Ltda, Prof. MSc. Carlos E. Matos, concedeu entrevista ao canal NBR sobre o uso de modelos in silico, e da importância destes modelos no contexto da ciência nacional e atividades da RENAMA (Rede Nacional de Métodos Alternativos). 

Carlos E Matos

Acesso na íntegra: Entrevista sobre métodos alternativos ao uso de animais e modelos in silico

 O termo in silico refere-se a qualquer geração e/ou análise de dados executada através de computador ou simulação computacional, sem o uso de animais ou outras matrizes biológicas. Apesar da aparência de uma tecnologia nova, além do amplo histórico de aplicação dos modelos computacionais na descoberta de drogas, sua aplicação em toxicologia por diversas agências internacionais e a referência de uso, já data de décadas. Com o conhecimento acumulado e avanços em informática, estatística, biologia, toxicologia e química computacional, possibilitaram a criação de interfaces e o surgimento de diversos modelos computacionais úteis para a avaliação do potencial de toxicidade de uma molécula pela sua estrutura química, sem o uso de animais e antes mesmo do processo de síntese (obtenção de sua forma física).

Os modelos in silico são importantíssimos neste contexto, em que tanto podem ser feitas triagens para a seleção de ingredientes com menor potencial de toxicidade e busca de dados de testes já realizados pela estrutura química, como também a combinação com outros métodos (ex: in vitro e in silico), que podem evitar testes desnecessários.

Os testes que envolvem o uso de culturas in vitro (provenientes de cultivo celular) substituem testes com animais, assim como testes ex vivo que partem da premissa de que tecidos provenientes de abatedouros (tais quais globos oculares do contexto da indústria) podem ser utilizados, ao invés do animal vivo no teste. Este tipo de teste permite evitar a submissão de organismos/animais vivos a procedimentos considerados altamente invasivos ou incompatíveis, como forma de redução de sofrimento e do uso (ex: teste de irritação/corrosão ocular, desenvolvimento de procedimentos cirúrgicos, estudos com células de tumores etc.). Existem ainda os modelos in chemico, em fase de pesquisa, em que se utilizam (bio)moléculas similares às do organismo (ex: peptídios ou proteínas) para verificar a reatividade de novas substâncias químicas.

Benefícios com a chegada dos métodos alternativos

Um primeiro benefício que podemos destacar é o desenvolvimento inteligente. É possível realizar triagem de menor custo e seleção de moléculas mais viáveis (potencialmente menos tóxicas ou aquelas com características mais interessantes). Sabe-se que com frequência, após diversos testes com animais, pode se chegar à conclusão de que a molécula não atende aos requisitos esperados. Neste caso, através de modelos in silico ou outros métodos alternativos é possível antecipar-se quanto ao potencial de toxicidade, triar um alto número de moléculas candidatas, e, realizar testes biológicos de maneira mais racional apenas com as moléculas mais interessantes deste “filtro”. O segundo benefício a ser destacado é que em certos casos é possível a substituição do teste com animais (teste in vivo), por exemplo, pela combinação de duas metodologias alternativas in silico e/ou in vitro. No que se refere à verificação do potencial alergênico de uma nova substância ou verificação do potencial de genotoxicidade de impurezas em medicamentos, estas estratégias integradas validadas já podem ser adotadas em substituição ao uso de animais. Outro importante benefício é o de evitar os chamados “testes redundantes”. Os bancos de dados que armazenam resultados de até dezenas de milhares de resultados de testes de toxicidade já realizados, para fins de criação de modelos computacionais pelos softwares, permitem também verificar pela estrutura química se determinada substância já foi testada do outro lado do mundo. Entendemos que é uma atitude responsável verificar se existem dados toxicológicos prévios antes de realizar um novo teste.

Infelizmente, à luz dos conhecimentos atuais, não é possível excluir totalmente os testes com animais, não apenas no Brasil, mas em todo o mundo. Sabe-se que ainda não é possível extinguir por completo o uso de animais para todos os diversos contextos de uso, produtos ou desfechos, para os quais ainda não há métodos alternativos disponíveis com capacidade preditiva suficiente, quando se quer ter maior certeza de que um produto pode ser liberado para consumo. Todavia, há vários contextos em que o uso de animais pode ser evitado, substituído ou racionalizado, e cabe a cada empresa se certificar se a referida análise pode dispensar ou não o uso de animais segundo cada norma específica aplicável.

Ofertar para a população ingredientes ou produtos (e suas impurezas) em alimentícios, cosméticos, farmacêuticos, agroquímicos e outros, sem se saber quais são seus efeitos diretos sobre o organismo pode ter resultados catastróficos, como já se viu no passado. Para a tomada de decisão sobre cada tipo de produto, é preciso definir políticas e exigências de testes, que devem ser atualizadas continuamente, aproveitando os avanços científicos e os novos métodos alternativos.

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